Coco: história e utilização na gastronomia

Uma das coisas que mais nos fascina por aqui é a origem dos alimentos. Quando estudamos história, principalmente a era das grandes navegações, o que inclui o descobrimento do Brasil, não nos damos conta como muito dessa corrida se deu por conta de especiarias, café, cana de açúcar e vários produtos alimentícios. Nesse processo, muitas espécies de plantas, principalmente comestíveis e com valor comercial foram migrando de continentes. E uma delas é o coco, que por conta do seu fruto e proximidade do mar teve um processo migratório longe dos navios. A nossa consultora Carol Sá, preparou um delicioso texto com várias curiosidades sobre essa espécie única.

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O coqueiro (Cocos nucifera) membro da família Arecaceae (família das palmeiras) é a única espécie classificada no gênero Cocos. Presente há muito tempo na Terra, cerca de 20 milhões de anos, é nativo da Gondwana¹ e foi domesticado na Malásia². Sua dispersão, praticamente ficou a cargo do próprio mar, podendo o fruto flutuar por longas distancias e se desenvolver nos solos arenosos costeiros que atracava. O coqueiro foi considerado uma das árvores mais importantes para a evolução da humanidade.  Da pré-história até os dias atuais, o coqueiro sustenta de inúmeras formas comunidades ao redor dos trópicos. Seu uso é tão versátil que um ditado Indonésio diz: ” Há tantos usos para o coqueiro quanto há dias do ano.”

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É uma peculiaridade do coqueiro ter todas as etapas de desenvolvimento acontecendo simultaneamente: germinação, crescimento, florescimento e amadurecimento do fruto. Ou seja, há frutos o tempo todo e não há necessidade de armazenamento, algo que nem é possível devido a sua alta concentração de líquidos caracterizando um fruto muito perecível. Desde rica fonte de água até para a construção de barcos a vela.

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Como alimento faz-se os seguintes produtos: água, açúcar, óleo, leite e polpa. Sua água é completa fonte de quase todos os nutrientes essenciais ao homem, ela contém: ferro, fósforo, cálcio, vitamina C, complexo B,
hormônios, proteínas, lipídeos e carboidratos. Além de seu valor alimentar, tem valor para promoção da saúde, medicamentos e cosméticos.

Seu uso culinário é fundamental e típico no sul da Índia, mais especificamente no Kerala e na cozinha Thailandesa. Por aqui, nos trópicos americanos, ele é fundamental na cozinha baiana e em muitos doces típicos da confeitaria brasileira. Há um tempo atrás participei de um concurso de receitas onde coco era o ingrediente principal, fiz várias e que estão aqui no site, mas uma é meu xodó e adoro dividir com todos, o Mousse de umbu com Licuri. Tenho certeza que quem fizer a receita também se apaixonará ainda mais por coco e frutas brasileiras.

Ah! Coco! O que seria das águas quentes e salinas do trópico sul sem sua presença? Alguém imagina alguma ilha paradisíaca sem Coqueiros e toda sua bela refrescancia? Eu não!

Receita: Mousse de umbu com Licuri

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Ingredientes

Mouse:

  • 1 xícara de chá de doce de umbu em compota
  • 1 xícara de chá da calda do doce de umbu
  • 1 vidro de leite de coco
  • 1 caixa de creme de leite ou soja
  • 1 envelope(12g) de gelatina em pó incolor sem sabor
  • 3 colheres de sopa de coco ralado

Calda:

  • 4 colheres de sopa de doce de umbu pastoso
  • 1 xícara de água
  • ½ xícara de açúcar cristal
  • 1 canela em pau
  • 2 favas de cardamomo socadas

Para servir:

  • 50g de licuri sem sal triturado
  • 50g de coco ralado

Modo de preparo

Mouse:

Bata no liquidificador todos os ingredientes do mousse, adicione a gelatina derretida e bata o suficiente para misturar. Use as instruções do envelope para derreter a gelatina. Coloque em recipientes para sobremesa e leve a geladeira por 12hs.

Calda:

Leve ao fogo baixo todos os ingredientes em uma panela e deixe ferver até engrossar. Espere a calda esfriar e leve para a geladeira.

Para servir:

Na hora de servir, desenforme o mousse em pratos de sobremesa, coloque 3 colheres de sopa de calda por cima, depois 1 colher de sopa de licuri triturado e finalize colocando o coco ralado por cima.

Rende 6 porções de 200ml.

¹Gondwana – O supercontinente do sul Gondwana incluía a maior parte das zonas de terra firme que hoje constituem os continentes do Hemisfério Sul formado durante o período Jurássico Superior há cerca de 200 milhões de anos, pela separação do Pangeia.

²Malasia – região biogeográfica aproximadamente definida como uma área que inclui o Sudeste Asiático, Indonésia, Austrália, Nova Guiné e vários grupos de ilhas do Pacífico.

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